Pedro Lucas e Josivaldo têm indicações demitidas após votarem pela derrubada da MP do IOF
Brasília — A recente derrota do governo Lula na Câmara dos Deputados, com a retirada de pauta da Medida Provisória que aumentava o IOF, começou a gerar efeitos além do Congresso. Exonerações em série de aliados políticos e indicações de parlamentares que votaram contra o governo foram registradas em vários estados, incluindo o Maranhão. Entre os atingidos estão pessoas ligadas aos deputados Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) e Josivaldo JP (PSD).
A medida é vista por analistas como uma forma de o Palácio do Planalto testar a fidelidade da base aliada e punir quem contribuiu para a derrota da MP.
O voto dos deputados maranhenses e a reação do governo
Na sessão que retirou a MP do IOF de pauta, inviabilizando sua tramitação, o placar foi de 251 votos favoráveis à retirada contra 193 contrários. A proposta previa o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras para compensar perdas de arrecadação.
Entre os deputados maranhenses que votaram a favor da retirada da MP, ou seja, contra o governo, estão:
Allan Garcês (PP) Aluísio Mendes (Republicanos) Amanda Gentil (PP) Josivaldo JP (PSD) Júnior Lourenço (PL) Pastor Gil (PL) Pedro Lucas Fernandes (União Brasil)
Já os que votaram com o governo, a favor da manutenção da MP, foram:
Cleber Verde (MDB) Duarte Jr. (PSB) Fábio Macedo (Podemos) Hildo Rocha (MDB) Juscelino Filho (União) Márcio Honaiser (PDT) Márcio Jerry (PCdoB) Marreca Filho (PRD) Rubens Júnior (PT)
Alguns parlamentares se abstiveram ou estiveram ausentes no momento da votação.
Exonerações no Maranhão após a votação
Lena Brandão — Iphan-MA
A primeira exoneração com repercussão direta no Maranhão foi a da arquiteta Lena Brandão Fernandes, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no estado.
Lena é irmã do deputado Pedro Lucas Fernandes e sua saída foi interpretada por aliados como retaliação política. O governo não detalhou o motivo, mas a exoneração ocorreu logo após as votações que contrariaram a orientação do Planalto.
Wellington Reis — Agricultura e Pesca-MA
Outro caso envolveu Wellington Reis Sousa, que comandava a Superintendência Federal de Agricultura e Pesca no Maranhão.
A exoneração de Reis, indicado pelo deputado Josivaldo JP (PSD), também ocorreu na esteira da derrota da MP do IOF. O parlamentar foi um dos que votaram contra a proposta do governo.
Fontes em Brasília afirmam que os desligamentos fazem parte de um “ajuste político” interno, com o objetivo de substituir indicações de deputados que se afastaram da base por nomes de parlamentares fiéis ao Planalto.
Demissões se espalham por outros estados
Além dos casos no Maranhão, outras exonerações foram registradas em diferentes regiões do país.
Entre os nomes atingidos estão:
José Trabulo Júnior, ligado ao senador Ciro Nogueira (PP), exonerado da Caixa Econômica Federal; Paulo Rodrigo de Lemos Lopes, também da Caixa; Superintendentes da Agricultura no Pará, Paraná e Minas Gerais; Chefe do DNIT em Roraima; Harley Xavier Nascimento, da Codevasf em Bom Jesus da Lapa (BA), indicado pelo deputado Arthur Maia (União Brasil).
Esses cortes reforçam a percepção de que o governo iniciou um movimento de retaliação política, substituindo indicados de deputados dissidentes por aliados de confiança.
Repercussões e clima de tensão na base aliada
A série de exonerações gerou desconforto entre partidos do centrão, como PSD, União Brasil e Republicanos, que integram formalmente a base, mas têm mostrado resistência em votações recentes.
Parlamentares consideraram as medidas “exageradas” e “contraproducentes”, alegando que punir aliados por divergências pontuais pode fragilizar o pacto de governabilidade.
Assessores próximos ao presidente Lula afirmam, no entanto, que o objetivo é “reorganizar a base e identificar quem está realmente comprometido” com o governo.
Um “teste de fidelidade” em ano pré-eleitoral
Nos bastidores, a decisão de demitir indicados de parlamentares dissidentes é vista como uma estratégia disciplinar e um recado político.
A derrota da MP do IOF teria servido como um marco divisório para o Planalto medir lealdades e sinalizar o custo de romper com o governo em votações decisivas.
A expectativa é que novas exonerações ocorram nas próximas semanas, principalmente em cargos de segundo e terceiro escalão indicados por deputados que votaram contra o governo.
Enquanto isso, tanto Pedro Lucas Fernandes quanto Josivaldo JP ainda não se pronunciaram publicamente sobre as demissões de seus aliados.
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