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Correios colocam imóveis em leilão para tentar reduzir prejuízo bilionário

Correios colocam imóveis em leilão para tentar reduzir prejuízo bilionário

Os Correios anunciaram a venda de imóveis próprios em vários estados do país como parte do plano de reestruturação da empresa. A estatal pretende arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão até dezembro de 2026 com os leilões.

Ao todo, estão sendo ofertados 26 imóveis, entre prédios administrativos, terrenos, galpões, lojas e apartamentos funcionais. Muitos deles apresentam sinais de abandono, vandalismo e deterioração, o que evidencia desperdício de patrimônio público.

Entre os imóveis colocados à venda está um prédio comercial no Centro de São Paulo, com 5,4 mil metros quadrados, sem portas nem janelas e cheio de entulho. O lance inicial é de R$ 7,2 milhões. Uma antiga agência em Porto Alegre e uma casa em Arneiroz, no Ceará, também estão em condições precárias. Já em Belo Horizonte, um prédio em bom estado foi avaliado em R$ 8,3 milhões.

Nos últimos seis anos, a venda de imóveis rendeu apenas R$ 45 milhões aos Correios. Agora, a empresa aposta em novos leilões, marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro e 5 de março, como tentativa de aliviar a crise financeira.

Especialistas avaliam que a medida é correta, mas insuficiente. Para o economista Sérgio Vale, os imóveis perderam valor por estarem abandonados e são difíceis de vender em um momento de economia desacelerada. Segundo ele, a venda representa apenas um “tapa-buraco” e não resolve o problema estrutural da empresa, defendendo a privatização como alternativa.

A situação financeira dos Correios vem se agravando. Em 2022, o prejuízo foi superior a R$ 700 milhões. Em 2024, o rombo chegou a R$ 2,5 bilhões, e nos primeiros nove meses de 2025, alcançou R$ 6 bilhões. A projeção é que o prejuízo total de 2025 chegue a R$ 10 bilhões.

Enquanto as receitas passaram de R$ 19 bilhões em 2020 para menos de R$ 21 bilhões em 2024, as despesas cresceram mais rapidamente, saltando de R$ 17 bilhões para R$ 23 bilhões em 2025.

Para o economista Paulo Feldman, professor da USP, além de cortar gastos, os Correios precisam mudar o modelo de atuação. Ele defende que parte do setor de entregas seja aberta à iniciativa privada, já que a estatal não teria condições de competir com eficiência no atual cenário.

A venda dos imóveis é apenas uma das medidas do plano de reestruturação da empresa, que busca reduzir prejuízos e tentar garantir a continuidade dos serviços.

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