MPF aponta gravidade do garimpo ilegal em Centro do Guilherme e Centro Novo
O Ministério Público Federal classificou como de extrema gravidade o avanço do garimpo ilegal em Centro do Guilherme e Centro Novo do Maranhão. Segundo o órgão, a extração clandestina de ouro ocorre sem controle efetivo do poder público e atrai crimes como trabalho escravo e tráfico de drogas.
A exploração acontece na região do Gurupi, divisa com o Pará, e já provoca contaminação por metais pesados em rios e riachos locais. Uma moradora de Centro do Guilherme relatou o desaparecimento de peixes no rio Maracaçumé, que abastece a cidade.
O pesquisador Marcelino Silva, do Departamento de Geociências da UFMA, afirmou que há indícios de contaminação por mercúrio no riacho Cachoeira e no rio Gurupi. Ele disse que o riacho, antes farto em peixes, hoje não apresenta mais a espécie, e que os sedimentos do local estão contaminados.
A especialista em toxicologia aquática da UFMA, Mariana Basso, explicou que o mercúrio utilizado no garimpo pode se transformar em formas ainda mais tóxicas no ambiente. A exposição prolongada ao metal afeta o sistema nervoso e pode causar alterações motoras, problemas de memória e dificuldades de aprendizado.
O procurador da República Alexandre Soares afirmou que operações anteriores do MPF já comprovaram o quadro na região e que a Justiça Federal condenou a Agência Nacional de Mineração por falhas de fiscalização. A Polícia Federal realizou ações na área desde 2021, com apreensão de máquinas e prisões. Em maio deste ano, o MPF abriu nova ação administrativa para ampliar a fiscalização.
Com informacoes de G1 Maranhao.
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