Defensoria aponta falhas nas UTIs pediátricas do Hospital da Criança em São Luís
A Defensoria Pública do Maranhão identificou falhas nas Unidades de Terapia Intensiva Pediátricas do Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís. A inspeção ocorreu no dia 15 de julho e foi conduzida por dois defensores públicos, um do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente e outro do Núcleo de Defesa da Saúde.
O relatório registrou que cada setor das UTIs contava com um único médico plantonista para até dez leitos de alta complexidade. No período da tarde, não havia médicos diaristas, responsáveis técnicos nem coordenadores presentes nas unidades.
A Defensoria constatou que parte dos profissionais atuava nas UTIs sem a especialização exigida pelas resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Uma médica plantonista confirmou aos defensores não ter formação em terapia intensiva pediátrica.
A direção do hospital, profissionais da unidade e familiares de pacientes relataram falta de medicamentos e insumos. Segundo os profissionais ouvidos, a ausência de certos medicamentos obrigava o uso de alternativas que não correspondem ao padrão de referência da medicina. Familiares disseram que médicos passavam dias sem visitar os leitos e que havia atraso na administração de remédios.
Após a inspeção, a Defensoria solicitou escalas de profissionais com identificação de especialidades, relatórios de indicadores de qualidade e taxas de mortalidade de maio, junho e julho de 2026. O órgão pediu a abertura de investigação interna no hospital e na Secretaria Municipal de Saúde, além de acionar o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materno-Infantil para analisar óbitos recentes, com atenção ao caso de bebês gêmeos.
O relatório foi encaminhado ao Ministério Público do Maranhão e aos conselhos de Medicina, Enfermagem e Fisioterapia. Um acordo mediado pelo Ministério Público garantiu a continuidade dos serviços médicos nas UTIs por mais 60 dias, após o instituto responsável pela gestão das unidades solicitar reajuste de 114% no contrato com a Secretaria Municipal de Saúde.
Com informacoes de G1 Maranhao.
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