Brandão e Dino: como aliados de décadas viraram adversários no Maranhão
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, do MDB, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino foram parceiros políticos por quase vinte anos. Brandão foi vice-governador nas duas gestões de Dino, em 2014 e 2018, e assumiu o Palácio dos Leões em 2022 quando Dino deixou o cargo para disputar o Senado. Em seguida, Brandão foi eleito governador no primeiro turno.
A ruptura entre os dois começou a aparecer logo após a eleição de Brandão. A primeira disputa pública foi pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão. Othelino Neto, então presidente da Casa e aliado de Dino, abriu mão de disputar a reeleição. Em fevereiro de 2023, Iracema Vale, apoiada por Brandão, assumiu o comando do Legislativo.
A tensão cresceu depois que Dino tomou posse no STF, em fevereiro de 2024. O ministro ficou responsável por analisar ações sobre as regras de escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, o TCE-MA. Em março de 2024, ele suspendeu um processo de indicação. O governo Brandão trabalhava pela escolha de Flávio Costa para a vaga, enquanto o grupo ligado a Dino indicava outro nome.
Em agosto de 2025, a Polícia Federal abriu um inquérito, por determinação de Dino, para apurar irregularidades nas nomeações para o TCE-MA. A defesa de Brandão pediu ao STF a suspensão da investigação, argumentando que casos envolvendo governadores devem tramitar no Superior Tribunal de Justiça, o STJ.
Um dia antes desse pedido, Dino determinou o afastamento por 180 dias de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador, no âmbito de outra investigação. Os dois lados do conflito chegaram ao STF em frentes distintas e com movimentos que se intensificaram ao longo de 2025 e 2026.
Com informacoes de G1 Maranhao.
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