Lençóis Maranhenses: por que o parque não é um deserto
A agência espacial americana Nasa publicou uma imagem do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vista do espaço e descreveu o local como um deserto feito de água. A publicação somava mais de 200 mil curtidas e 5,3 mil comentários na manhã do dia 21 de agosto. O contraste entre as dunas brancas e as lagoas azuladas e esverdeadas chamou atenção no mundo inteiro.
Apesar da aparência, os Lençóis Maranhenses não são classificados como deserto. A principal razão está no volume de chuvas que a região recebe. O parque registra cerca de 125 centímetros de chuva por ano, volume superior ao de Seattle, nos Estados Unidos, e aproximadamente o dobro do registrado em Londres, na Inglaterra.
Um estudo divulgado pela Revista Pesquisa Fapesp aponta que, em alguns períodos, o parque pode receber até 2 mil milímetros de chuva por ano. Nos desertos, a baixa ocorrência de chuvas é uma das características centrais. Nos Lençóis Maranhenses, a água é parte essencial da formação da paisagem.
O oceanógrafo Denilson Bezerra, professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão e doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, explicou como as dunas se formam. Segundo ele, a combinação entre vento, chuva e lençol freático cria as condições para que as dunas se formem de maneira constante e dinâmica no parque.
Mais de 90 por cento das chuvas na região ocorrem entre janeiro e julho, segundo a pesquisa da Fapesp. Nesse período, a água infiltra na areia e eleva o lençol freático, formando lagoas temporárias entre as dunas. Na estação seca, essas lagoas diminuem ou desaparecem, e os ventos atuam com mais força sobre a areia, mantendo o ciclo que define a paisagem do parque.
Com informacoes de G1 Maranhao.
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