PF investiga desvio de emendas culturais no Maranhão e documento liga nomes de dez deputados
A Polícia Federal investiga um esquema de desvio de recursos públicos destinados a eventos culturais no Maranhão, por meio de emendas parlamentares encaminhadas à Secretaria de Estado da Cultura (SECMA). O caso ganhou repercussão após a prisão de três pessoas em flagrante, que tentavam sacar valores expressivos em espécie. Um documento apreendido com uma das investigadas revelou nomes de dez deputados estaduais, associando-os a indicações de recursos para entidades culturais.
O flagrante e o início da investigação
No dia 17 de outubro, a PF prendeu Larissa Rezende Santos, assessora parlamentar, Maria José de Lima Soares, ligada ao tradicional Boi de Maracanã, e Ivan Jorge da Piedade Madeira, presidente de uma entidade cultural. Com eles foram encontrados cerca de R$ 500 mil em espécie, valor que, segundo os investigadores, teria origem em emendas parlamentares supostamente desviadas.
Os saques chamaram atenção por ocorrerem logo após o repasse de recursos públicos da SECMA para despesas de eventos culturais — muitos deles suspeitos de não terem sido realizados.
O documento que levantou suspeitas
Durante as buscas, a PF apreendeu um papel rasgado com o título “SECMA – Emendas Indicadas”. Nele, constavam nomes de deputados ao lado de entidades e eventos culturais, todos com valores na casa dos R$ 250 mil por emenda. Entre os listados estão:
Antônio Pereira (PSB)
Arnaldo Melo (PP)
Guilherme Paz (PRD)
Júnior Cascaria (Pode)
Cláudia Coutinho (PDT)
Leandro Bello (Pode)
Juscelino Marreca (PRD)
Wellington do Curso (Novo)
Florêncio Neto (PSB)
Helena Duailibe (PP)
Segundo o relatório da PF, alguns parlamentares aparecem com múltiplas indicações. Guilherme Paz, por exemplo, teria indicado cinco emendas. Juscelino Marreca, oito.
Como funcionaria o esquema
De acordo com as investigações preliminares, os recursos saíam da SECMA com destino a entidades culturais conveniadas, mas eram convertidos em dinheiro vivo logo após o repasse. A suspeita é de que os eventos serviriam apenas como fachada para justificar a retirada dos valores, sem execução verdadeira ou com execução simbólica.
Um dos eventos citados é o “Festival das Crianças”, previsto para outubro, mas sob questionamento quanto à realização efetiva.
Parlamentares mencionados negam envolvimento
Até o momento, nenhum dos deputados foi formalmente indiciado. Alguns já se pronunciaram:
Helena Duailibe afirmou que reconhece a indicação de emenda para projetos culturais, mas nega qualquer recebimento de recursos. Cláudia Coutinho informou que seu nome aparece apenas por ser autora da emenda, reforçando que a execução e o controle do recurso cabem ao Estado. Guilherme Paz declarou que aguardará acesso aos autos para entender por que seu nome foi citado.
A Assembleia Legislativa ainda não se posicionou oficialmente sobre o impacto político do caso.
Alerta sobre o uso de recursos culturais
O episódio revela uma preocupação crescente com o destino das emendas parlamentares no Maranhão. A cultura, um setor tradicional e simbólico no estado, pode estar sendo utilizada para escoar recursos públicos sem transparência.
Organizações da sociedade civil e fazedores de cultura cobram auditoria completa dos convênios e comprovação da realização dos eventos financiados.
Próximos passos da investigação
A PF segue rastreando:
Prestação de contas dos eventos listados Relação entre entidades beneficiadas e gabinetes parlamentares Possíveis saques fracionados para ocultação de valores
Relatórios da Controladoria-Geral do Estado (CGE) e Ministério Público devem ser anexados ao inquérito.
Fonte: Imirante
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