São Paulo vive um dos anos mais violentos para mulheres desde o início da série histórica. Entre janeiro e outubro de 2025, a capital registrou 53 feminicídios, o maior número já contabilizado em um único ano. No estado, foram 207 casos no mesmo período, um aumento de 8% em relação a 2024. Os dados mostram uma tendência preocupante de crescimento da violência letal contra mulheres.
Especialistas apontam que o aumento tem duas causas principais: a intensificação da violência de gênero e o aprimoramento das autoridades na identificação de feminicídios, que antes eram registrados como homicídios comuns. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa, e os meios mais usados são objetos cortantes e armas de fogo. O perfil dos casos reforça a necessidade de políticas que vão além da segurança pública, envolvendo educação, assistência social, saúde e proteção econômica.
Nos últimos anos, o estado ampliou delegacias especializadas, criou serviços como a Cabine Lilás e aumentou o uso de tecnologias de denúncia e medidas protetivas. Houve também crescimento nas prisões em flagrante. Mesmo assim, os números mostram que essas ações ainda não são suficientes para conter a escalada de violência.
O avanço dos feminicídios revela um problema estrutural que exige resposta integrada, contínua e firme. Reduzir esses números depende tanto da agilidade do Estado quanto da capacidade da sociedade de enfrentar o machismo e proteger mulheres antes que a violência chegue ao extremo.


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