Após afastamento de presidente, BRB admite possível aporte do GDF por prejuízos com Banco Master
Justiça afasta presidente do BRB após negociações com Banco Master; governo do DF estuda aporte para cobrir possíveis prejuízos
Brasília — 13/01/2026
O Banco de Brasília (BRB) informou nesta terça-feira (13) que o Governo do Distrito Federal já sinalizou a possibilidade de realizar um aporte direto de recursos para cobrir eventuais prejuízos decorrentes de operações financeiras questionadas envolvendo o Banco Master.
Em nota, o BRB afirmou que possui um plano de capitalização pronto, que poderá ser acionado caso as investigações confirmem danos ao banco.
“Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do banco”, informou a instituição.
Entre 2024 e 2025, o BRB aportou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. O Ministério Público aponta indícios de gestão fraudulenta nessas operações. Ao longo de 2025, o banco público tentou adquirir parte relevante do Master, iniciativa que contou com apoio do governo do DF, acionista controlador do BRB, mas que foi barrada pelo Banco Central.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal investiga a aquisição de carteiras de crédito consideradas problemáticas do Banco Master pelo BRB. As apurações buscam identificar possíveis falhas nos processos internos de análise de risco, aprovação e governança das operações.
Em novembro de 2025, uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que posteriormente foi demitido de forma definitiva.
As transações também são analisadas pela nova direção do BRB e por uma auditoria independente, que ainda não divulgaram conclusões. O Banco Central acompanha o caso.
Apesar das investigações, o BRB afirma que segue operando normalmente. Segundo o banco, o patrimônio líquido atual é de R$ 4,5 bilhões, enquanto o patrimônio de referência soma R$ 6,5 bilhões, valores inferiores ao total investido no Banco Master no período investigado.
Governo do DF já havia sinalizado garantia
Ainda em novembro de 2025, após a operação policial, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que eventuais erros teriam ocorrido por “excesso de confiança” e defendeu a gestão do banco à época.
Na ocasião, o governador já havia sinalizado que o governo poderia socorrer o BRB, se necessário.
“Eu acredito agora que a recuperação do banco é imediata, não há prejuízo para os clientes nem para os investidores. O BRB tem solidez e liquidez, e tem um governo do Distrito Federal que também tem patrimônio para garantir qualquer operação”, afirmou.
Contradição com discurso de crise orçamentária
A sinalização de possível aporte ao BRB ocorre em meio a declarações do governo do DF sobre uma crise orçamentária, especialmente na área da saúde.
No início de janeiro, Ibaneis afirmou que o orçamento da Saúde do DF “não suportou todos os gastos” e que seriam necessários cortes. Naquele momento, havia mais de R$ 100 milhões em repasses atrasados ao Hospital da Criança de Brasília, situação que afetou atendimentos e só começou a ser regularizada após decisão judicial.
Em declarações posteriores, o governador afirmou que o DF enfrentou uma frustração de receita de cerca de R$ 2 bilhões em 2025, pressionando as contas públicas.
Os números, no entanto, foram contestados pela Associação de Auditores da Receita do Distrito Federal (Aafit). Segundo a entidade, a arrecadação tributária do DF cresceu 6,6% em 2025 na comparação com 2024.
“É fundamental esclarecer que a arrecadação tributária não é a causa da piora nas contas públicas do DF. A realidade aponta no sentido contrário: a arrecadação tem se mantido em crescimento e representa um fator positivo para os cofres do Distrito Federal”, afirmou a associação.
Deixe uma resposta