Grupo católico tradicionalista cresce no Brasil e desafia o Vaticano
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, congregação católica fundada na Suíça em 1970, cresce no Brasil nos últimos 20 anos. O grupo rejeita as reformas feitas pelo Vaticano na década de 1960 e celebra missas em latim, com o padre de costas para os fiéis durante a maior parte do rito.
O grupo planeja consagrar novos bispos no dia 1º de julho, na cidade suíça de Écône, sem autorização do papa. O Vaticano já avisou que a cerimônia vai ser tratada como ruptura formal com a Igreja e que os envolvidos serão excomungados.
Não seria a primeira vez. Em 1988, o arcebispo francês Marcel Lefebvre, fundador da congregação, foi excomungado pelo papa João Paulo 2º após nomear quatro bispos sem autorização. A pena proíbe a participação na comunhão e em outros sacramentos católicos.
Mesmo assim, a congregação continuou crescendo. Entrou na América do Sul pela Argentina e ganhou presença no Brasil junto ao avanço de correntes conservadoras entre católicos brasileiros. Em São Paulo, a chapel da Vila Mariana recebe missas com bancos lotados e fiéis em pé nas laterais.
O historiador Vinícius Couzzi Mérida, doutor em Ciências da Religião, afirma que a excomunhão é uma punição rara, que acontece uma ou duas vezes por século. A tensão entre o grupo e o Vaticano tem raiz no Concílio do Vaticano 2º, assembleia de bispos realizada entre 1962 e 1965, que substituiu o latim pelo idioma local nas missas e aproximou os fiéis da leitura da Bíblia.
Com informacoes de G1.
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