Ex-piloto da Voepass relatou falhas por anos antes da queda do voo 2283
Um ex-piloto da Voepass tornou-se figura central na investigação da queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em 2024. Luiz Cláudio de Almeida prestou depoimento à Polícia Federal e suas declarações foram destacadas no relatório final do inquérito, usado para analisar a conduta de dois dos 16 indiciados pelo caso.
Almeida tem 44 anos de carreira na aviação. Passou por TAM, Trip e Azul antes de chegar à então Passaredo, que depois virou Voepass, em 2019. Foi convidado para atuar como comandante e instrutor, mas acabou trabalhando como copiloto. Segundo ele, colegas atribuíram a mudança ao receio de que o grupo fosse rigoroso demais e atrasasse voos da companhia.
Durante os anos na empresa, ele enviou cerca de 40 e-mails ao setor de segurança operacional da Voepass alertando sobre problemas, entre eles falhas nos boots, componentes do sistema de degelo das aeronaves ATR. Segundo Almeida, nenhum desses alertas foi respondido.
Dois meses antes do acidente, ele participou de uma audiência pública da Agência Nacional de Aviação Civil, em Brasília, e denunciou as escalas de trabalho. Relatou cansaço, deslocamentos longos até o local de serviço e contatos da empresa durante o período de folga. Em setembro de 2025, o Ministério do Trabalho concluiu que o tempo reduzido de descanso da tripulação do voo 2283 pode ter contribuído para a tragédia.
Almeida afirmou que sofreu retaliações por questionar a empresa. Disse que perdeu trechos mais longos e foi transferido de Brasília para Porto Alegre. Relatou ainda que havia uma norma interna para não registrar panes, mesmo quando as aeronaves apresentavam problemas que impediam a decolagem segura.
A Voepass disse, em nota, que a segurança operacional era prioridade e que seguia os protocolos da Anac. A agência informou que sua corregedoria analisaria os apontamentos feitos pela PF sobre a fiscalização da companhia.
Com informacoes de G1.
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